sábado, 13 de março de 2010

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Quarta, 10 Março 2010 18:20

I. Um Pai tinha dois filhos… Esta não é a parábola de um filho bom e de outro mau. Bom é só o Pai. É a parábola do Pai misericordioso. É afinal o Pai o verdadeiro pródigo. Ele, sim, esbanja e excede-se, na abundância da festa, na profusão do amor!

Ouvimos esta parábola, como se fora a nossa própria história. A maioria de nós, é quase certo, ter-se-á fixado na figura do filho mais novo, o filho que busca fora o que está dentro, que mendiga na cidade o que lhe sobra em casa, que rompe os laços do amor familiar, para se deixar atar ao nó cego da sua insatisfação. Até cair em si e se decidir, a um tímido regresso!

Mas a parábola, se bem se lembram, foi contada, de propósito e a propósito dos «fariseus e escribas que murmuravam entre si, dizendo: este homem acolhe os pecadores e come com eles». Eles estão desenhados na figura do filho mais velho, com o seu olhar distante, frio e sombrio. Trata-se de um estranho dentro de casa. Um ressentido, que cumpre a lei, mas não conhece a alegria; tem mais perfil de empregado, do que coração de filho. Não conhece o coração do pai, vê apenas nele a imagem de um patrão!

II. Por mim, deixai que vos diga. Já me revi, muitas vezes, na figura do filho pródigo e já me sentei, outras tantas, no lugar distante do filho mais velho. É altura de descobrirmos agora que esta parábola não nos quer pintados em nenhum destes filhos, mas nos deseja convertidos à figura luminosa do Pai. Estamos a poucos dias de celebrar o dia do Pai. De algum modo, o antecipamos, nesta celebração dominical. Por isso, e porque «Deus é Pai e ninguém é tão Pai como Deus», sugiro especialmente a cada pai, que se veja e reveja nesta imagem do pai misericordioso. Quais serão afinal as características principais da paternidade de Deus, que hão-de moldar o nosso coração de pais? Enuncio apenas uma mão cheia delas!

1º. Trata-se de um pai livre e libertador: O Pai, de que nos fala a parábola, não usa a autoridade, para forçar à obediência. Retrai-se, para que o filho mais novo exista na liberdade. Abre mesmo espaço para o filho perdulário, e não lhe opõe resistência. Não se impõe, para evitar a fuga do filho mais novo, mas depõe-se para o acolher no seu regresso!

2. Um pai, animado pela esperança: O Pai, que Jesus nos revela na parábola, espreita à janela e acompanha, de perto, vendo ao longe, os passos do filho. Permanece firme e fiel ao seu amor, na «expectativa» do regresso do Filho. Este Pai não desiste! Quem anda no amor, não cansa, sem se cansa! Espera e não desespera. Porque o amor tudo espera, o amor tudo suporta! (I Cor.13,7).

3. Um Pai, clemente e cheio de compaixão: O Pai, que Jesus nos revela no seu amor, ama cada filho, independentemente dos seus méritos, defeitos e feitios. Ama-os porque os gerou... Nada o faz deixar de amar, porque é Amor. Este Pai ama, como somente uma mãe sabe fazê-lo: com um amor que irradia ternura e gratuidade, mais fiel do que qualquer infidelidade humana. Como afirmava São Bernardo, "Deus não nos ama, porque somos belos, mas faz-nos belos porque nos ama"!

4. Um pai humilde e corajoso: O pai, de que Jesus é o rosto visível, corre ao encontro do filho mais novo. E perante a recusa do filho mais velho a entrar na alegria, vem cá fora estar e instar com ele! No fundo, era o filho que devia apresentar-se e prostrar-se diante do pai, diríamos nós! A parábola coloca-nos, pois, diante de um pai que não tem medo de perder estatuto e que, ao contrário, o põe em risco. Assim, a autoridade do pai não reside na distância que separa, mas no amor irradiante que aproxima!

5. Um pai que sofre e se alegra. Este Paié o primeiro a sofrer! Mas sofre, não tanto pela ofensa recebida, não tanto pela perda injusta de um filho novato que perdeu a cabeça ou de um filho maduro que perdeu o coração. Ele sofre primeiro, e sofre sobretudo, porque conhece o sofrimento dos filhos, porque padece e se compadece com o filho que estava perdido ou com o filho que não se tinha encontrado! Por isso, tem de alegrar-se e de fazer festa. Porque ao regressar, ou ao entrar na festa, cada filho reencontra a sua dignidade e experimenta a alegria de ser amado! Tudo o que o Pai faz é expressão dessa alegria: as roupas novas, o calçado, o anel, o novilho gordo, a música, as danças, tudo se transforma numa festa excepcional, num hino da alegria!

III. Queridos irmãos e irmãs: Compaixão significa sofrer com quem sofre e alegrar-se com quem se alegra! Para esta festa, o Pai convida o filho mais velho, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: «alegrai-vos comigo»! Vou entrar na festa, ou ficarei ainda do lado de fora, com a coração a morrer de frio?!

1 comentários:

Bergilde Croce disse...

Pelo Google descobrí seu blog, e já seguindo da Itália,Bergilde Croce
www.filhotesadorados.blogspot.com

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